DIÁRIO DE ROBERTO

on quarta-feira, 25 de setembro de 2013


    Estou, por meio deste depoimento, relatando um fato um tanto quanto peculiar. Estava eu andando em uma rodovia, investigando a morte de um menino, quando me vejo diante de um antigo e desgastado livro. Não me recordo o porquê, mas me vi em uma vontade imensa de lê-lo. No inicio me decepcionei, o livro havia poucas paginas, era um diário, um manuscrito com palavras chulas e aparentemente escritas por um jovem que recém aprendera a ler. Mau eu sabia o quanto aquele diário mudaria os rumos da minha investigação.
Dia 14 de Fevereiro
  Não sei muito bem como começar a escrever meu diário, mas vou começar assim.
   Tenho 14 anos, meu nome é Roberto e moro em uma grande cidade chamada Campo Bom, mas não gosto muito daqui, onde eu gosto mesmo é de Pedra dos Santos. 
   Em pedra dos Santos eu e os meus pais tínhamos uma fazenda bonita, cheia de animais, tinha boi, galinha, porco e muitos ornitorrincos, lá sim era um lugar bom para morar. Mas um dia, um dia comum, estava na aula com meus colegas, quando o diretor da minha escola me chamou para conversar, ele disse que meus pais haviam morrido. No inicio foi difícil de acreditar, não tenho avós, nem tios, apenas meus vizinhos, mas me explicaram que eles não poderiam ficar comigo. Eu estava sozinho. Eu estou sozinho. Depois de tudo isso nem preciso dizer onde fui parar, em um orfanato.
 Dia 1 de março
   Vai começar as aulas, estou louco para fazer amigos. Aqui no orfanato, ninguém fala comigo, todos andam de cara emburrada, acho que é porque,eu falo diferente. Lá de onde eu venho falar da maneira que eu falo é comum.
  Eu estou dormindo com outros três meninos, um deles tem uma cara emburrada, o nome dele é Fernando, uma vez ele deu um soco na cara de outro menino, ele parece ser legal, mas nunca falei com ele. Dos outros dois eu não sei muito. Esse quarto que eu estou dormindo é ruim, de dia é muito quente e de noite é frio, quase nunca tem coberta suficiente para dormir, além disso, o quarto é pequeno quase nem cabem os dois beliches.  
Dia 5 de março
   Não gostei da escola, ela é muito grande, todos me olham torto e meus colegas zombam de mim pelo meu jeito de falar. Minha sala de aula é muito pequena, as classes estão todas velhas e muitas quebradas. Os professores em maioria são velhos, rabugentos e falam que eu não sei ler direito.
Dia 28 de março
   Não aguento mais essa escola e por isso vou viajar de volta para minha querida cidade. Lá vou procurar meus vizinhos e vou morar na minha antiga casa, sozinho.
   Estou planejando chegar ate a rodovia, e de lá eu vou pedir uma carona. Saio amanhã de manhã, levarei apenas uma mochila com comida, umas mudas de roupa e um pouco de dinheiro.
Dia 29 de março
   Ocorreu tudo como o planejado, em meia hora estava na rodovia e em poucos minutos um caminhão pequeno e velho com um caminhoneiro muito simpático encostou oferecendo uma carona.
  O caminhoneiro é legal, ele parecia estar bem interessado sobre o porquê de eu estar ali, sozinho e indefeso. Ele disse que ia me lavar para a minha cidade mas disse que antes me levaria em um lugar.

  No mesmo dia em que eu achei esse diário foi achado o corpo do menino no fundo de um lago.

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