Estou, por meio
deste depoimento, relatando um fato um tanto quanto peculiar. Estava eu andando
em uma rodovia, investigando a morte de um menino, quando me vejo diante de um
antigo e desgastado livro. Não me recordo o porquê, mas me vi em uma vontade
imensa de lê-lo. No inicio me decepcionei, o livro havia poucas paginas, era um
diário, um manuscrito com palavras chulas e aparentemente escritas por um jovem
que recém aprendera a ler. Mau eu sabia o quanto aquele diário mudaria os rumos
da minha investigação.
Dia 14 de Fevereiro
Não sei
muito bem como começar a escrever meu diário, mas vou começar assim.
Tenho 14 anos, meu nome é Roberto e moro em
uma grande cidade chamada Campo Bom, mas não gosto muito daqui, onde eu gosto
mesmo é de Pedra dos Santos.
Em pedra
dos Santos eu e os meus pais tínhamos uma fazenda bonita, cheia de animais,
tinha boi, galinha, porco e muitos ornitorrincos, lá sim era um lugar bom para
morar. Mas um dia, um dia comum, estava na aula com meus colegas, quando o
diretor da minha escola me chamou para conversar, ele disse que meus pais haviam
morrido. No inicio foi difícil de acreditar, não tenho avós, nem tios, apenas
meus vizinhos, mas me explicaram que eles não poderiam ficar comigo. Eu estava
sozinho. Eu estou sozinho. Depois de tudo isso nem preciso dizer onde fui
parar, em um orfanato.
Dia 1 de
março
Vai começar
as aulas, estou louco para fazer amigos. Aqui no orfanato, ninguém fala comigo,
todos andam de cara emburrada, acho que é porque,eu falo diferente. Lá de onde
eu venho falar da maneira que eu falo é comum.
Eu estou dormindo
com outros três meninos, um deles tem uma cara emburrada, o nome dele é
Fernando, uma vez ele deu um soco na cara de outro menino, ele parece ser
legal, mas nunca falei com ele. Dos outros dois eu não sei muito. Esse quarto
que eu estou dormindo é ruim, de dia é muito quente e de noite é frio, quase nunca
tem coberta suficiente para dormir, além disso, o quarto é pequeno quase nem cabem
os dois beliches.
Dia 5 de março
Não gostei
da escola, ela é muito grande, todos me olham torto e meus colegas zombam de
mim pelo meu jeito de falar. Minha sala de aula é muito pequena, as classes estão
todas velhas e muitas quebradas. Os professores em maioria são velhos,
rabugentos e falam que eu não sei ler direito.
Dia 28 de março
Não aguento
mais essa escola e por isso vou viajar de volta para minha querida cidade. Lá
vou procurar meus vizinhos e vou morar na minha antiga casa, sozinho.
Estou
planejando chegar ate a rodovia, e de lá eu vou pedir uma carona. Saio amanhã
de manhã, levarei apenas uma mochila com comida, umas mudas de roupa e um pouco
de dinheiro.
Dia 29 de março
Ocorreu
tudo como o planejado, em meia hora estava na rodovia e em poucos minutos um
caminhão pequeno e velho com um caminhoneiro muito simpático encostou oferecendo
uma carona.
O
caminhoneiro é legal, ele parecia estar bem interessado sobre o porquê de eu
estar ali, sozinho e indefeso. Ele disse que ia me lavar para a minha cidade
mas disse que antes me levaria em um lugar.
No mesmo dia em
que eu achei esse diário foi achado o corpo do menino no fundo de um lago.
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